Lesão no colo do útero: minha experiência!

Olá pessoal!

 

Irei contar algo pessoal com a sincera intenção de alertar todas vocês minhas queridas seguidoras/amigas virtuais. Às vezes na correria do dia a dia a gente se esquece, trabalhamos, cuidamos da casa, dos filhos, dos amigos e ficamos em último lugar.

Deixamos de fazer exames importantíssimos de rotina por falta de tempo ou apenas de cuidado. E se eu tivesse feito isso, talvez, quando fosse descobrir já teria sido tarde.

Quando voltei de viagem (final de janeiro) recebi o resultado do meu último preventivo (exame Papanicolau) que havia feito em dezembro (12/17). Eu havia feito outro em janeiro (01/17) -nem um ano antes- e estava normal. O resultado pela primeira vez veio alterado. Quando recebi o resultado senti muito medo e logo pensei: “não posso ficar doente, quem cuidará dos meninos!”.

Entrei em contato com o meu médico e ele me explicou detalhe por detalhe o que estava acontecendo. Segundo ele meu exame apontou que eu estava com uma lesão de alto grau (como se fosse um tumor no colo do útero). O que nos preocupava era o fato do exame não ter descartado uma possível micro invasão (que significa que aquela lesão poderia ou não ter se espalhado para outros locais). Fizemos um exame específico (colposcopia), mas nada apareceu (pois, estava localizado no canal entre o útero e o colo, atrás do DIU).

Ficamos muito assustados, pois na minha família diversas mulheres tiveram problemas parecidos. Minha bisavó materna teve câncer no útero, várias tias tiveram problemas no útero e colo (a maioria já retirou o útero), minha avó paterna também. Então, esse histórico nos assustou muito.

Nosso médico resolveu retirar o máximo possível do colo do útero devido ao risco de micro invasão que o exame apontou. A cirurgia serviria também para fazer a biópsia e descobrirmos realmente qual a extensão do problema. Se a lesão havia evoluído para algo mais sério, se precisaria retirar o útero ou se eu estaria curada.

Existem dois métodos para realizar essa cirurgia, um menos invasivo (CAF – Cirurgia de Alta Frequência) e um mais invasivo/agressivo, ambos chamados de conização. No meu caso o médico optou por utilizar o método mais invasivo (corte com bisturi), pois os resultados seriam melhores. Devido a isso, a recuperação exigiria alguns cuidados a mais: pouco esforço, no início repouso e não levantar peso por um bom tempo, entre 30 a 60 dias, ou seja, a pior parte para uma mãe de dois meninos pequenos. Meu pânico era sobre esse período.

Realizei o procedimento, foi tudo melhor do que o esperado. A anestesia foi raquidiana (a mesma das minhas duas cesáreas) e uma intravenosa para dormir. Tive apenas alguns inconvenientes normais da anestesia e do procedimento (coceira intensa no corpo todo – solucionada com uma injeção de corticoides-, dor nas costas (nos 3 ou 4 primeiros dias), fraqueza, tontura (na primeira semana), dificuldade para urinar (somente no primeiro dia) e intestino preso). Coisas que acontecem em qualquer procedimento cirúrgico.

Depois de 15 longos dias o resultado da biópsia chegou e foi ótimo, eu estou bem e nada havia micro invadido (hehe). A lesão foi concentrada apenas no colo no útero e a descobri bem no início (graças ao cuidado do meu médico Dr. Romar Pagliarin e a sua atenção em fazer e solicitar o exame regularmente. Aliás, devo minha vida a ele em diversas situações. É um profissional extremamente competente e além de tudo que já fez por mim, trouxe ao mundo meus meninos).

Hoje, estou sem DIU (mas, assim que me recuperar totalmente colocarei outro ou desligarei as trompas, mas isso já é outro assunto), voltei a tomar anticoncepcional (depois de anos) e ainda tenho alguns sangramentos. No geral estou ótima e muito feliz que tudo isso passou. Agora durante 1 ano terei que repetir os exames a cada 3 meses e durante alguns anos a cada 6 meses para garantir que não retorne.

O meu resultado foi muito positivo (apesar de angustiante e assustador), mas ele poderia não ter sido. Eu poderia ter ficado anos sem fazer esse simples exame (que está escrito em todos os lugares NÃO DEIXE DE FAZER O EXAME PREVENTIVO TODO ANO), como diversas mulheres fazem. E quando fosse investigar, essa lesão já teria se tornado um câncer cervical e sabe-se lá até onde teria se espalhado.

Tenho diversas amigas que me contaram depois que isso aconteceu que faziam anos que não faziam o exame e nem ao médico iam, pois não sentiam nada. E o mais perigoso é que realmente isso tudo é assintomático. Eu, por exemplo, nunca senti dor, cólica, nada. Às vezes estranhava alguns corrimentos em momento aleatórios, mas isso toda mulher tem, também é considerado normal (está ligado ao nosso emocional, nossa imunidade).

Então, hoje fica o meu alerta para todas vocês: NÃO DEIXEM DE SE CUIDAR, não esqueçam de fazer o preventivo (exame Papanicolau). São minutos da nossa vida que podem evitar muitas doenças graves no futuro. Não tenham vergonha de ir ao médico. Vergonha é a gente não se cuidar com tanta informação rondando nossos olhos diariamente. Pense em você e em sua saúde em primeiro lugar sempre.

Enfim, relato tudo isso a vocês, pois acredito que Deus de alguma forma coloca “pedras em meu caminho” para que eu possa retirá-las, aprender com elas e ajudar muitas outras pessoas com a minha experiência. Eu já vivi incontáveis situações na maternidade e adquiri mais força e garra em cada uma. Hoje, consigo ver claramente a minha missão. E essa situação que relato com certeza foi um desses momentos de muita transformação em minha vida!

 

Dúvidas técnicas:

 

Como é feito o exame Papanicolau e para o que ele serve?

É um exame simples, sem dor e muito rápido. A mulher deita-se na posição ginecológica (com as pernas elevadas) e o médico(a) ginecologista (com a ajuda de um espéculo) extrai células da parede vaginal e do colo do útero com uma cerda (é como se fosse uma escovinha que ele esfrega no colo do útero, isso causa um leve incomodo, mas não dói nada). O médico transfere o material para uma espátula de vidro e envia para analise em laboratório.

O principal objetivo do exame é encontrar precocemente lesões ou alterações do tecido uterino e prevenir o câncer de colo de útero. O exame também detecta algumas infecções como a candidíase.

OBS: O nome do exame se deve ao seu inventor, o médico Georgios Papanicolaou (e não a um Papa Chamado Nicolau como você deve estar pensando kkk- ou só eu pensei isso?).

Não deixe de relatar a sua experiência aqui nos comentários também, isso ajuda e orienta muitas outras mulheres!

 

Até mais!






3 Comentários em "Lesão no colo do útero: minha experiência!"

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Lílian Silva
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Lílian Silva

Mulher guerreira, continue assim na paz do Divino Espírito Santo!

Fernanda Caldas
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Fernanda Caldas

Obrigada por compartilhar isso com a gente! Vou marcar urgente meu preventivo, acho que faz uns 3 anos que eu não faço! Que descuido feio com a gente mesma. Obrigada Ana!

Gabrielle Oliveira
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Gabrielle Oliveira

Passei por algo muito parecido, mas meu final não foi tão alegre na época. Fiquei anos sem fazer o preventivo e quando descobri tive que retirar o colo, o útero, as tropas, os linfonodos. Enfim, foi uma barra. Sua publicação é de extrema importância. Parabéns pela atitude e pela bela escrita. Gostaria de encontrar mais reportagens aqui direcionadas a nós mulheres. Você escreve que uma forma que que nos toca e nos faz repensar. Uma base científica, ao mesmo tempo informal. Muito bom. Parabéns! Abraços querida. Aguardo vídeos e assuntos voltamos para nós.