Refluxo

Refluxo no bebê: a experiência de uma mãe!

Compartilhar

Olá pessoal!

 

Depois que eu publiquei um desabafo no nosso instagram (@sobre_maternidade) e na nossa página do facebook sobre como estava sendo difícil lidar com as doenças e o refluxo do Francisco, muitas mamães me escreveram contando que também estão passando por isso e muitas pediram orientações. Já publicamos no blog um post técnico sobre o assunto (clique aqui para ler) e hoje resolvi relatar apenas o que vivemos e aprendemos ao longo desses 21 meses com o Francisco, pois acredito que pode ajudar outras mamães e papais que estão passando pela mesma situação.

 

O que é refluxo e quando não é considerado normal?

 

Como a maioria das mamães já sabem refluxo é algo normal (é chamado de refluxo fisiológico) e acontece com mais de 50% dos bebês. Eles regurgitam o leite em excesso logo após as mamadas (não expressam dor) e isso ocorre, pois o aparelho gástrico dos bebês ainda não está totalmente formado. O esfincter (válvula que existe entre o estômago e o esôfago) ainda está em formação, é como se estivesse frouxo e não consegue se fechar completamente quando o líquido/leite passa por ele fazendo com que retorne. Com a maturidade, conforme o bebê vai conseguindo firmar a cabeça e ficar sentadinho essa situação começa a melhorar (entre 6 a 12 meses).

Aqui em casa o Francisco desde que nasceu não vomitava muito, isso não era comum acontecer. Nunca percebemos incômodos em relação à regurgitação, por isso no início ficou mais difícil identificar o refluxo nele.

Doença do refluxo, então, é quando o refluxo fisiológico torna-se patológico, ou seja, quando ocorre em grande quantidade (até um certo tempo depois da mamada), com frequência, causando baixo peso ou muitas dores e desconfortos para o bebê (pois junto a esse leite volta também o suco gástrico ácido do estomago).

A doença apresenta-se de duas formas: refluxo tradicional: onde o bebê regurgita/vomita muito chegando a perder peso e o refluxo oculto: que é mais difícil de identificar, pois o bebê não chega a vomitar, mas o líquido (conteúdo gástrico) permanece circulando do estomago para o esôfago e isso gera dor, queimação, azia. O maior problema do refluxo oculto é justamente o fato dele não ser eliminado, então, ele volta até o esôfago e retorna para o estomago diversas vezes causando mais danos (queimando na subida e na descida).

 

Como identificamos o refluxo no Francisco se ele não regurgitava/vomitava?

 

Quando Francisco estava quase completando 1 mês começou a agir de forma estranha na hora de mamar, ele começou a chorar em todas as mamadas e jogar a cabeça para traz muito irritado e logo começou a recusar o leite (mamava no seio). Eu também ouvia barulhos de líquido em sua garganta e a noite ele começou a acordar chorando desesperado diversas vezes. No início chegamos a pensar que fossem apenas cólicas intensas e eu cheguei a mudar toda a minha alimentação, não comia nada que poderia causar cólicas (e passar para o leite). Também, os remédios tradicionais para cólica e massagens não ajudavam em nada. Resolvemos pesquisar e lendo vários depoimentos de outras mamães percebemos que isso não acontecia apenas com a gente e a situação não era normal, procuramos nossa pediatra (Dra. Lilian Silva) de confiança.

Na consulta ela identificou que ele estava com refluxo oculto. Iniciamos a medicação (no nosso caso usávamos Motilium [domperidora] e Label [Ranitidina], mas jamais utilize esses medicamentos sem prescrição ou indicação médica, cada caso é um caso) e eles demoraram uns 20 dias para começar a fazer efeito.  Adotamos outras medidas seguindo as orientações da nossa pediatra:

  • Iniciamos sessões de osteopatia com um fisioterapeuta especializado (Dr. Paulo, clique aqui para conhecer) e foi muito bom;
  • Elevamos o berço da cama (45º): o nosso berço oferece essa opção, é antirefluxo – esse modelo aqui, mas se o seu modelo não for, a dica é colocar livros para elevar o berço ou existe a opção de colchões e travesseiros antirefluxo disponíveis no mercado para vender. Como esses:

Refluxo

  • Começamos a manter o Francisco em pezinho depois das mamadas e só colocar na cama depois de meia hora;
  • Diminuir a quantidade de leite por mamada e oferecer com maior frequência;

*Consultamos uma gastropediatra por indicação de amigos e ela manteve as mesmas medicações e indicações. Outro detalhe: permanecemos oferecendo leite materno até o Francisco aceitar e apenas depois disso quando ele não quis mais (aos quase 6 meses) começou a tomar fórmula infantil (na época Similac I).

 

Com o tempo e medicações Francisco melhorou, mas a cada 3 meses (as vezes menos e as vezes mais) iniciavam as crises de refluxo (mesmo ele crescendo o problema não diminuía): líquido na garganta que o afogava dormindo provocando tosse e azia, fazendo com que ele acordasse diversas vezes a noite chorando (e como a maioria de vocês sabem ele dorme 12 horas seguidas desde o 4º mês). Ouvido (pela pressão que o líquido que volta exerce sobre o canal auditivo) e garganta (pois, o líquido ácido com o tempo irrita e machuca o esôfago e a garganta) infamados.

Voltamos a fazer diversas vezes o tratamento (durante 1 mês geralmente) e o maior tempo que o Francisco aguentou ficar sem medicação foi 4 ou 5 meses. Depois que ele começou a ir para a escola e ficar doentinho mais vezes as crises pioraram intensamente, pois as medicações provocavam ainda mais a acidez do estômago. Francisco começou a tomar novas medicações (omeprazol/losec por tempo limitado e bromoprida), pois o uso prolongado da domperidona pode causar cólicas e desconfortos.

Ao longo do tempo confesso que muitas vezes eu não levei o refluxo tão a sério, sempre imaginando que quando começasse a crescer iria melhorar e até muitas vezes parei a medicação antes do tempo. Hoje (21 meses), chegamos a um ponto onde Francisco desenvolveu uma broncopneumonia por causa do refluxo (pois, o líquido que volta do estomago foi para o lugar errado), muita tosse a noite (às vezes até vomitar), o seu ouvido se mantem sempre com o canal avermelhado, às vezes inflamado (na primeira vez nós tratamos com medicamentos, mas logo a pediatra percebeu que isso era causado pelo refluxo e era uma situação constante, não tratamos mais). A pediatra nos alertou que isso é muito perigoso, pois de alguma forma pode prejudicar a audição do Francisco (e só saberemos se prejudicou quando ele conseguir fazer um exame de audiometria). Também, o seu peso começou a sofrer alterações (mesmo ele comendo muito bem).

 

Iniciamos um novo tratamento medicamentoso (que será constante a partir de agora, pois o Francisco não está conseguindo ficar sem) e novas medidas:

  • Francisco não toma mais leite antes de dormir apenas janta 2 horas antes: e isso já mudou muito. Ele não acorda mais a noite e a tosse noturna acabou (às vezes sente cede e oferecemos água);
  • Não toma muitos/ou nada de sucos, leite, chás, apenas água durante a tarde e a noite;
  • Iniciamos o leite/fórmula AR (para refluxo): já havíamos tentando no passado, mas o Francisco não aceitou muito bem e paramos (tinha aumento dos gases e constipação), mas hoje como a situação mudou ele está se adaptando (e nós também, pois queríamos manter o leite que tomava até os 2 anos);
  • Evitamos qualquer alimento que provoque o refluxo (tomate, chocolate-já não comia-, conservantes, etc.)
  • Voltaremos a fazer osteopatia para tentar diminuir as doses de remédio para refluxo;

*Todas essas medidas foram orientadas pela médica que já o conhece. Lembre-se que as crianças são diferentes, então, antes de qualquer mudança converse com o profissional que já conhece o seu filho e você confia.

 

Nesse caminho também fizemos: exame de intolerância à lactose (um teste genético feito a partir da saliva) e o resultado deu negativo. E diversos exames de alergia (que são considerados inconclusivos até os 2 anos e meio) para tentar encontrar outra causa para o refluxo. Uma das alergistas que consultamos (pois, Francisco já teve algumas crises alérgicas, mas isso é outro assunto) nos disse que crianças alérgicas podem desenvolver refluxo com maior frequência. Acreditamos que pode ser genético, pois eu, minha mãe, meu pai, meu irmão mais velho (que mesmo aos 30 anos toma remédios todos os dias para conter o refluxo e assim que possível fará um cirurgia) e o meu irmão mais novo temos. Enfim, não existe uma explicação, uma causa, muitas vezes é uma união de pequenos detalhes, mas quando patológico é preciso tratamento e atenção.

O refluxo é muito inconveniente, é chato (desculpe a palavra) e hoje percebemos que a maioria das coisas que o Francisco já teve relacionado a doenças foi por causa dele. O que eu indico é buscar um bom profissional (confiar nele), bem orientado e seguir todas as medidas indicadas para conter os sintomas e incômodos.

 

O que mais aprendemos:

  • Que nosso filho e nós somos capazes de nos adaptar a qualquer nova situação se desejarmos (não existe aquela frase: “meu filho não consegue dormir sem leite ou meu filho não se adapta”, quando é questão de saúde conseguimos qualquer coisa);
  • Que é muito importante consultar sempre o mesmo pediatra (busque um em que você confia e não fique trocando ou buscando outras opiniões), pois tem coisas que apenas o tempo e conhecendo a criança os profissionais são capazes de perceber e assim poder ajudar (é obvio que quando forem assuntos específicos e que necessitam de determinada atenção busque e consulte especialistas da área necessária);
  • Que é importante/interessante seguir a tabela de peso que indica na carteirinha do bebê, pois dessa forma é possível perceber muitas coisas importantes sobre nossos filhos (e consultar todos os meses o pediatra até o bebê completar 10 meses, depois uma consulta aos 12 meses -que serão indicados exames de sangue- e depois apenas quando necessário).
  • Não importa o que as pessoas lhe dizem VOCÊ CONHECE O SEU FILHO MAIS DO QUE NINGUÉM, você sabe quando algo estranho está acontecendo. Confie em você e no seu coração de mãe/pai!

 

O post ficou grande, mas procurei contar todos os detalhes dessa nossa experiência.

Observação: Citei o nome de algumas medicações apenas para contar a nossa experiencia com as mesmas, mas é importante deixar claro que eu não estou indicando o uso e jamais faria isso, pois apenas o médico que conhece o seu filho (e estudou para isso) sabe o que é melhor e mais indicado para ele.

 

Se ficar alguma dúvida deixe aqui nos comentários que responderei com o maior carinho (e não se esqueça de conferir minha resposta depois!).

 

Beijinhos!

 

1 comentário  •  1



1 Comentário em "Refluxo no bebê: a experiência de uma mãe!"

avatar
Organizar por:   mais novos | mais antigos | mais votados
Ana Luisa
Visitante
Ana Luisa

Nossa Ana, tudo que precisava ler… tão dificil que em casa não estava mais entendendo meu bebe. Parei de comer tudo de fazer tudo, mudei tudo e nada, pensei que fossem cólicas como vc. Procuramos nossa pediatra e ela falou que era redluxo oculto, como Pedro não vomita fiquei tão na duvida, agora lendo o seu depoimento, meu filho age igual e estou começando a entender as coisas. Obrigada por dividir isso com a gente. Beijo e fique com Deus você e seus meninos. Ana, Pedro e Luiz;

wpDiscuz