Sono Infantil

Teste: descubra o temperamento do seu bebê (e como ele dorme melhor)

Descubra o temperamento do seu bebê

Para descobrir o temperamento do seu bebê, observe como ele reage no dia a dia: como chora, como pega no sono, como lida com barulho, gente nova e mudanças. Abaixo está um teste com 12 perguntas para fazer em casa. Ele mostra qual dos cinco perfis mais combina com o seu bebê e o que costuma ajudar cada um, principalmente na hora de dormir.

Sou psicóloga especialista em sono infantil e mãe do Francisco e do Antônio. Uso essa observação do temperamento com as famílias que atendo, porque o mesmo jeito de fazer dormir não serve para todos os bebês. Entender o temperamento do seu filho não é dar um rótulo a ele: é aprender a ler os sinais dele e ajustar o que você faz.

O que é temperamento

Temperamento é o jeito com que o bebê reage ao mundo desde que nasce: mais calmo ou mais intenso, mais aberto ou mais desconfiado com o que é novo, mais ou menos sensível a barulho, luz e toque. Ele vem em parte com a criança e se mostra cedo, nas primeiras semanas.

Os primeiros a estudar isso a fundo foram os psiquiatras Alexander Thomas e Stella Chess, que acompanharam mais de 130 crianças desde bebês até a idade adulta. Eles observaram nove características (como nível de atividade, regularidade do sono e da fome, reação ao que é novo, adaptação, sensibilidade, intensidade e humor) e perceberam que muitas crianças se encaixavam em três grupos: as “fáceis”, as “difíceis” e as que “demoram a se soltar”. Muitas outras eram uma mistura.

A ideia mais importante desses estudos é a do encaixe: a criança se desenvolve melhor quando o que o ambiente espera dela combina com o temperamento que ela tem. Não existe temperamento certo ou errado. Existe o jeito do seu filho e a forma de cuidar que funciona para ele.

Temperamento e sono

O temperamento aparece muito na hora de dormir. Um estudo que acompanhou bebês ao longo do primeiro ano encontrou que os bebês com temperamento mais “negativo” (que choram mais, se irritam e se acalmam com mais dificuldade) tinham mais problemas de sono: demoravam mais para adormecer e passavam mais tempo acordados à noite.

Isso não quer dizer que um bebê intenso ou sensível vai dormir mal para sempre. Quer dizer que ele precisa de mais ajuda: um ambiente mais calmo, uma rotina mais previsível e mais atenção às janelas de sono. Na prática, é aqui que conhecer o temperamento faz a maior diferença.

Antes de fazer o teste

  • Peça para duas pessoas responderem, separadas. A mãe e o pai, ou alguém que passe bastante tempo com o bebê (avó, babá). Cada um vê o bebê de um jeito, e os bebês agem diferente com pessoas diferentes.
  • Responda pelo que acontece na maior parte do tempo. Não pelo dia ruim de ontem, nem por uma fase de cólica, salto de desenvolvimento ou dente nascendo.
  • Cuidado com o espelho. A gente tende a enxergar no bebê o que vê em si mesmo, para o bem e para o mal. Tente descrever o que ele faz, e não o que você imagina que ele sente.
  • O teste funciona melhor a partir de 1 a 2 meses, quando o bebê já mostra um jeito mais claro. Com poucos dias de vida, quase tudo ainda é adaptação.

Teste: descubra o temperamento do seu bebê

Em cada pergunta, escolha a resposta que mais combina com o seu bebê e anote a letra.

1. Quando chora, o meu bebê:

  • A) quase nunca chora, e quando chora é fácil de acalmar;
  • B) chora por um motivo claro (fome, sono, fralda) e se acalma quando eu resolvo;
  • C) chora sem motivo que eu perceba, principalmente depois de muita gente ou barulho;
  • D) chora alto, com força, e se eu demoro o choro vira um berro;
  • E) chora ou resmunga boa parte do dia, e demora para se acalmar.

2. Na hora de dormir, o meu bebê:

  • A) dorme com facilidade, quase sem ajuda;
  • B) dorme bem se a rotina for a de sempre;
  • C) parece cansado, mas custa a pegar no sono e acorda com qualquer barulho;
  • D) fica agitado, se mexe muito e precisa de bastante ajuda para desacelerar;
  • E) reclama muito e não gosta de ser colocado no berço.

3. Quando acorda, o meu bebê:

  • A) fica tranquilo, olhando em volta, até alguém chegar;
  • B) faz barulhinhos e chama de leve;
  • C) logo fica inquieto se ninguém aparece;
  • D) chama alto, já acorda “a mil”;
  • E) acorda resmungando.

4. Com uma pessoa que ele não conhece, o meu bebê:

  • A) sorri logo;
  • B) fica sério um pouco e depois se solta;
  • C) se assusta e chora, a não ser que a pessoa chegue devagar;
  • D) fica agitado e quer interagir do jeito dele;
  • E) raramente sorri e prefere ficar só comigo.

5. Com um barulho alto, como uma porta batendo, o meu bebê:

  • A) nem se abala;
  • B) percebe, olha, e segue tranquilo;
  • C) se assusta muito e costuma chorar;
  • D) se agita e faz barulho também;
  • E) fica bravo e chora.

6. Na troca de fralda, no banho ou na hora de vestir, o meu bebê:

  • A) fica tranquilo;
  • B) fica bem se eu fizer com calma e sem pressa;
  • C) fica incomodado, principalmente quando está sem roupa;
  • D) se contorce, chuta e quer sair do trocador;
  • E) detesta: quase sempre vira uma batalha.

7. Em um lugar novo ou cheio de gente, o meu bebê:

  • A) se adapta em qualquer lugar;
  • B) fica bem se o lugar não for agitado demais;
  • C) fica irritado e cansado rápido, e depois custa a dormir;
  • D) fica superestimulado e é difícil acalmá-lo depois;
  • E) fica mal-humorado e quer ir embora.

8. Na hora de mamar, o meu bebê:

  • A) mama bem desde os primeiros dias;
  • B) levou uns dias para acertar, mas agora mama bem;
  • C) se distrai, solta o peito ou a mamadeira e volta, como se esquecesse;
  • D) mama com pressa e com força, e se irrita se o leite demora;
  • E) fica impaciente e mal-humorado durante a mamada.

9. Quando muda a rotina (viagem, visita, uma soneca que não deu certo), o meu bebê:

  • A) quase não sente;
  • B) sente um pouco, mas volta ao normal no dia seguinte;
  • C) desanda: chora mais e dorme pior por alguns dias;
  • D) fica mais agitado e mais difícil de fazer dormir;
  • E) fica bravo e mais resmungão.

10. Brincando sozinho, o meu bebê:

  • A) se distrai por bastante tempo com qualquer coisa;
  • B) fica bem por um tempo curto, se eu estiver por perto;
  • C) só fica tranquilo se vir alguém conhecido;
  • D) precisa de muito estímulo e se cansa de tudo rápido;
  • E) quase nunca se distrai sozinho.

11. O que mais acalma o meu bebê é:

  • A) quase qualquer coisa: colo, conversa, berço;
  • B) a rotina de sempre e as coisas que ele já conhece;
  • C) um lugar calmo, com pouca luz, colo firme e voz baixa;
  • D) movimento e contato firme, e diminuir os estímulos à volta;
  • E) paciência: nada funciona rápido.

12. A frase que melhor descreve o meu bebê é:

  • A) “nem parece que tem um bebê em casa”;
  • B) “ele é previsível, faz tudo no tempo certo”;
  • C) “ele é delicado, sente tudo”;
  • D) “ele sabe muito bem o que quer, e avisa”;
  • E) “parece que ele está sempre um pouco bravo com o mundo”.

Resultado: qual é o temperamento do seu bebê

Conte quantas vezes você marcou cada letra. A letra que mais apareceu mostra o perfil que mais combina com o seu bebê. Os nomes são os da enfermeira Tracy Hogg, no livro Os segredos de uma encantadora de bebês, que eu indico para todas as mães.

Letra Perfil Em uma frase
A Bebê anjo Calmo, adaptável, fácil de entender e de acalmar
B Bebê “livro-texto” Previsível, segue o esperado para a idade e gosta de rotina
C Bebê sensível Sente tudo com mais força: barulho, luz, gente, mudança
D Bebê enérgico Intenso, ativo, sabe o que quer e mostra com força
E Bebê irritável Mais sério e resmungão, demora a se acalmar e a aceitar o que é novo

É muito comum aparecerem duas letras quase empatadas. Nesse caso, o seu bebê tem um pouco dos dois perfis, e vale ler as duas descrições.

Seja qual for o temperamento do seu bebê, no meu curso de sono do bebê eu mostro como montar um plano de sono que faça sentido para a sua família.

Os cinco perfis e o que ajuda cada um

Bebê anjo

Sorri fácil, não se incomoda com lugares novos e dá sinais claros de fome e de sono. Muitas vezes acorda e fica tranquilo no berço até alguém chegar.

No sono: costuma adormecer sozinho cedo. O risco é justamente achar que ele “aguenta tudo” e esticar demais o tempo acordado ou pular sonecas. Mesmo o bebê anjo precisa de janelas de sono respeitadas e de um ritual.

Bebê “livro-texto”

É o bebê dos livros: atinge os marcos mais ou menos na idade esperada, tem fome e sono em horários previsíveis e tem os dias difíceis que todo bebê tem, mas se acalma com facilidade.

No sono: responde muito bem à rotina. Com horários regulares e um ritual do boa-noite, costuma aprender a dormir sem grandes dificuldades.

Bebê sensível

Para ele, o mundo é intenso demais. Se assusta com barulhos, vira o rosto para a luz forte, se irrita depois de passar por muitos colos e às vezes chora sem motivo aparente: é o jeito dele de dizer “chega, preciso de calma”. Gosta muito de sugar.

No sono: é o que mais sofre com mudanças. Uma visita, uma viagem ou uma soneca perdida podem bagunçar vários dias. O que ajuda: rotina bem previsível, quarto escuro e silencioso, poucas pessoas e poucos estímulos no fim do dia, colo firme e voz baixa. Para ele, ficar acordado além da janela de sono é ainda pior.

Bebê enérgico

Parece ter nascido sabendo o que quer. É vocal, faz barulho, se mexe muito e reclama alto quando algo não está bom, como uma fralda suja. Quando o choro passa do ponto, fica difícil trazê-lo de volta.

No sono: o desafio é desacelerar. Braços e pernas se agitando podem acordá-lo, e o excesso de estímulo no fim do dia cobra a conta à noite. O que ajuda: um ritual mais longo e calmo, diminuir as brincadeiras agitadas antes de dormir e agir nos primeiros sinais de sono, antes que o choro escale.

Bebê irritável

É mais sério, sorri menos e resmunga com frequência. Costuma não gostar de banho, troca e roupa, e pode ser impaciente na mamada. Muitas famílias se sentem culpadas, como se fosse algo que fizeram. Não é: é o jeito dele.

No sono: pede muita paciência e consistência. O que ajuda: antecipar o que o incomoda, fazer as trocas com calma, avisar o que vai acontecer, manter a mesma sequência todas as noites e não desistir na primeira semana. Ele pode reclamar da rotina, mas é a rotina que o acalma.

Quando o bebê não é o que você imaginou

Na gravidez, quase todos nós imaginamos um bebê: calmo, sorridente, que dorme bem. Quando o bebê real é mais intenso, mais sensível ou mais difícil de acalmar, é comum sentir frustração, culpa e até uma ponta de arrependimento. Você não está sozinha, e isso não diz nada sobre o seu amor por ele.

Para muitas mães, o amor vem aos poucos, à medida que vão conhecendo o filho. E conhecer o temperamento ajuda muito: o bebê deixa de ser “difícil” e passa a ser alguém com um jeito e necessidades próprias. Converse com outras mães, com a sua mãe, com amigas que já passaram por isso. Ouvir que os altos e baixos são normais faz diferença.

Nenhum perfil é melhor que o outro. Um bebê sensível pode virar uma criança atenta e cuidadosa; um bebê enérgico, uma criança determinada. E uma coisa vale para todos: todos os bebês se sentem melhor com uma vida calma e previsível.

Quando procurar ajuda

Converse com o pediatra se o bebê:

  • chora muito por mais de 3 horas por dia, em vários dias da semana;
  • parece sentir dor, arqueia o corpo ou chora durante e depois das mamadas;
  • está mamando mal ou ganhando pouco peso;
  • mudou de repente: era calmo e ficou muito irritado, sem motivo claro.

Choro e irritação constantes nem sempre são temperamento. Podem ser cólica, refluxo ou outro problema que o pediatra precisa avaliar. Comigo foi assim: parte do choro do Francisco, que eu achava que era cólica, era refluxo.

E procure ajuda para você se estiver triste, ansiosa, sem vontade de cuidar do bebê ou com pensamentos de machucar a si mesma ou a ele. Converse com o seu médico, com o pediatra ou com um psicólogo. Em uma crise, ligue para o CVV no 188.

Perguntas frequentes

Como saber o temperamento do meu filho?

Observando como ele reage no dia a dia: ao choro, ao sono, ao novo, aos barulhos, às mudanças. O teste acima ajuda a organizar essa observação. Peça para duas pessoas responderem e compare.

O temperamento do bebê muda?

O jeito de base costuma se manter, mas a forma como ele aparece muda muito com a idade e com o ambiente. Um bebê sensível pode ficar mais tranquilo à medida que cresce e que a família aprende a ajudá-lo.

O que é um bebê anjo?

É o bebê calmo, adaptável e fácil de acalmar, um dos cinco perfis descritos por Tracy Hogg. Mesmo ele precisa de rotina e de janelas de sono respeitadas.

Bebê enérgico dorme mal?

Não necessariamente, mas costuma ter mais dificuldade para desacelerar. Um ritual mais calmo e longo e agir nos primeiros sinais de sono fazem muita diferença. Veja os sinais de sono do bebê.

O temperamento influencia o jeito de ensinar a dormir?

Muito. Um bebê sensível pede mais calma e menos mudanças; um enérgico, um ritual mais longo; um irritável, mais paciência e consistência. Explico o passo a passo em como fazer o bebê dormir a noite toda e em como criar uma rotina para o bebê.

Quer ajuda para o sono do seu bebê?

Conhecer o temperamento é o primeiro passo para um plano de sono que respeita o seu bebê. No curso de sono do bebê Boa Noite Mamãe, eu ensino o passo a passo que uso com as famílias.

Fontes

  • Thomas A, Chess S. Temperament and Development. Nova York: Brunner/Mazel, 1977.
  • Chess S, Thomas A. Temperamental differences: a critical concept in child health care. Pediatr Nurs, 1985 (PMID 3846873).
  • Sorondo BM, Reeb-Sutherland BC. Associations between infant temperament, maternal stress, and infants’ sleep across the first year of life. Infant Behav Dev, 2015 (PMID 25837288).
  • Hogg T, Blau M. Os segredos de uma encantadora de bebês.
Quem escreve por aqui

Ana Paula Colli

Ana Paula Colli é psicóloga, apaixonada pelo universo infantil, pela escrita, livros, sono, cérebros, filosofia e ciência. Escritora desde os 14 anos, quando descobriu sua vocação pela primeira vez. Mamãe do Francisco (11 anos) e do Antônio (9 anos), como descreve, ser mãe é sua melhor parte! Graduada em Psicologia, Especialista em Saúde Mental e Psicologia do Sono.

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