Como fazer o bebê dormir a noite toda!

1) É possível?

Como fazer o bebê dormir a noite toda? Que título lindo! Ahh, se fosse fácil assim! Mas quando falamos em educação, a maioria dos assuntos não são simples, são trabalhosos e exigem muito de nós mamães (papais).

Lembrando que todas as crianças são diferentes e os seus padrões de sono também e que a resposta para a pergunta “como fazer o bebê dormir a noite toda?” não é tão simples de ser respondida. Algumas dormem mais e outras menos. Nesse post, falo sobre a NOSSA (primeira) experiência pessoal.

O post ficou SUPER grande, mas é um tema que gera muito assunto e como sempre preferi escrever algo completo do que apenas falar o que eu fiz. Acredito que não ia ajudar muito sem explicar a teoria e porque ela funcionou.

Para explicar as mudanças, vou contar um pouco sobre como era o sono do Francisco antes de aplicar o método (ensiná-lo). Assim, acredito que muitas mamães irão se identificar.

 

2) Os primeiros momentos e como tudo começou

Antes do Francisco nascer eu já tinha conhecimentos teóricos sobre maternidade. Sou formada em Psicologia e meu foco sempre foram crianças, bebês e o mundo materno em si. Porém, no dia que eu cheguei em casa do hospital com meu pequeno bebê nos braços eu percebi que eu realmente não sabia o que fazer com aquele lindo ser. Como fazer o bebê dormir a noite toda, eu me perguntava? Eu olhava pra ele admirando o bebê que eu havia acabado de dar a luz e carregado durante 39 semanas e 3 dias. Tudo era tão lindooo! Nos primeiros dias parece que esquecemos de tudo e as coisas simplesmente vão acontecendo.

Logo quando a primeira noite chegou eu percebi que as coisas não eram tão simples assim, pois no final do dia eu já estava super cansada e o Francisco acordado (choramingando e eu não sabia o motivo) a minha sensação era de que o dia estava apenas começado (mesmo o relógio marcando 22:00 horas) e a minha vontade (louca e desesperada) era de ir dormir, apenas isso, 99 horas seguidas!

(Detalhe: Na madrugada que o Francisco nasceu eu tinha ido dormir às 2 horas da madrugada e as 5 horas a bolsa estourou, depois disso eu simplesmente não dormi os 2 dias que passei no hospital, imaginem como eu estava quando cheguei em casa).

Eram tantas coisas novas, as limitações da Cesária, a amamentação constante, a dor na amamentação, o medo, o novo, o sono, o susto, tudo me fazia pensar em apenas uma coisa: ir dormir! Pouco pensava em ensinar o Francisco a dormir, ou o colocar acordado na cama, aquele serzinho? Jamais!

Eu fazia ele dormir NO COLO, ouvindo uma musiquinha e cantando para ele (e nanava e nanava e nanava e cantava).

Até evitava nanar, masssss depois de um tempo por desespero fazia de tudo para ele dormir (aposto que muitas mamães já fizeram isso huhuhu…).

Dividíamos os turnos de cuidado, horas o papai ficava cuidando dele, horas a vovó, mas eu independente de turno tinha que amamentar a cada 1 ou 2 horas (depois de umas semanas a cada 3 horas), mas não existia dormir mais que isso.

Durante o dia também era assim, amamentar a cada 2 horas e para ficar um pouco mais cansativo (hehe) o Francisco não dormia muito durante o dia, eram sonecas de no máximo 20 minutos, não existia aquela história: “quando ele dorme aproveita e vai dormir”.

Depois do 2º mês eu comecei a cuidar dele sozinha, pois as vovós e o papai precisaram voltar para suas vidas de trabalho, e ai que o cansaço piorou (até “me mudei” para o quarto dele para facilitar).

Toda noite era igual, estava cansada do dia pesado e fazia o Francisco dormir no colo, colocava na cama (se não acordava) não dormia mais que 2 ou 3 horas, acordava e já queria mamar, chorava, eu pegava no colo, voltava a dormir e logo já se mexia e mexia e mexia e acordava e pronto foi-se a noite de sono.

Não importava o quanto eu estava cansada tinha que cuidar dele com paciência, carinho e amor (somos seres incríveis, como conseguimos agir dessa forma estando destruídas? Com certeza nós vamos para o céu! hihihihi…)

No 3º mês a mesma coisa, eu fazia o Francisco dormir, colocava ele na cama (ou acordava) ou dormia 4 horas no máximo.

Quando chegou o 4º mês eu não aguentei mais, pois fiquei naquela esperança: Depois do 3º mês vai passar as cólicas e ele vai dormir melhor (santa inocência!), quando percebi já estava no 4º mês e nada de mudar, senti um desespero tão grande de me ver naquela situação, sem saber o que fazer, que decidi que ia ensinar meu filho a dormir sozinho, sem nanar e a noite toda. Na hora até pensei: “eu nunca vou conseguir fazer isso”, dentro da situação que eu estava parecia impossível, mas resolvi tentar e comecei a pesquisar sobre todos os métodos que existiam para fazer o bebê dormir.

Li o famoso livro “nana neném”, absorvi algumas coisas interessantes, mas não concordei com o método que o autor sugere, basicamente é deixar o bebê chorando para ele aprender a se acalmar sozinho (devido a alguns conceitos como profissional e como mãe desconsiderei totalmente isso).

Então, escolhi o livro da encantadora de bebês (partes são boas, outras nem tanto, li o livro “Soluções para noites sem choro” (aliás, dos livros que não são científicos esse ainda é um dos melhores).  Escolhi uma mistura de método que iam de encontro com o que eu acreditava e sabia e exclui o que era ruim e comecei!

Comecei a ler os livro e muitas coisas que já havia estudado (na área comportamental da psicologia) fizeram muito sentido naquele momento, foi como se eu simplesmente tivesse ligado a luz e estava entendendo e enxergando o que estava acontecendo.

Li em muitooos sites e blogs experiências de outras mães que aplicaram esses métodos (que basicamente em origem são iguais) o e eu pensava: “eu nunca vou conseguir fazer isso, colocar o coitadinho acordado no berço, não vai funcionar, só vai deixar ele mais bravo”, e mil coisas do tipo e posso garantir que o resultado aqui em casa foi surpreendente.

Todo conhecimento que eu ia adquirindo eu ia avaliando se fazia sentido com as demais teorias científicas. E depois do dia que eu resolvi realmente aplicar o método em um mês Francisco estava dormindo a noite toda!

Quero dizer (antes de mais nada) que depois que eu comecei a estudar e acreditar que era possível a minha vida mudou (e quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, hihihi…)! – Parece piada neh? “História pra boi dormir”? Mas acreditem, não! Foi realmente assim!

*Observações atualizadas: Depois que eu comecei a ler o livro eu resolvi ler todos os livros que existiam sobre o tema (inglês e português), artigos científicos, fiz longos cursos sobre distúrbios do sono, cursos sobre desenvolvimento infantil e nunca parei. Simplesmente me apaixonei pelo tema, afinal, era a minha área preferida e de atuação! Como profissional e como mãe posso garantir que qualquer bebê saudável é capaz de dormir a noite toda e toda família é capaz de ensiná-lo, mas é preciso conhecimento (para entender o que está acontecendo e aprender como mudar), muita paciência e dedicação! 

Depois desse Post escrevi muitas publicações sobre o tema, gravei vídeos e sempre falo sobre o assunto em nosso instagram (@sobre_maternidade). Hoje, trabalho exclusivamente com atendimentos familiares em sono e desenvolvimento infantil (para saber mais clique aqui). Escolhi não trabalhar com teorias especificas e sim orientar muito bem as famílias com conhecimentos científicos sobre sono e permitir que elas escolham a forma que se sentirem mais seguras e confortáveis para iniciar as mudanças necessárias.

Porém, esse post é focado no método do livro da Tracy Hogge nossa primeira experiência, então vamos lá (escrito em 31/03/2015):

3) Sobre o método:

Capítulo I: Amando o Bebê Que Você Deu a Luz

Nesse capítulo, a autora fala muito sobre as grandes expectativas que temos logo que o bebê vem para casa, como realmente é a realidade, como lidar com tudo isso.

O mais interessante (eu considero), que para mim foi um dos pontos importante para ensinar o Francisco a dormir foi: conhecer quem era o meu bebê, quem era o Francisco?

A autora explica que todos os bebês são diferentes no modo de se alimentar, de dormir, de responder a estímulos e também na maneira de se acalmar. Conhecendo esses detalhes será mais fácil para desenvolver um método próprio ou até mesmo seguir o dela, pois saberemos o que funciona e o que não funciona com o nosso bebê.

Outro ponto, é que esses temperamentos são apenas uma influência, não uma sentença de vida, para ela (e para mim). A educação cumpre uma função extremamente importante no desenvolvimento da criança, por isso é preciso entender a “bagagem” que o bebê trouxe consigo para o mundo ao nascer e sugere 5 tipos de temperamento:

Bebê Anjo, Livro-texto, Sensível, Enérgico ou Irritável e formulou um teste (para bebês de 5 dias a 8 meses) para descobrir qual desses é o seu bebê (clique aqui para fazer o teste).

Citei os tipos de bebês, pois esse é o método, mas o Francisco é uma união de dois deles. A melhor coisa que eu fiz até hoje foi prestar atenção em seus comportamentos e descobrir seus gostos, foi uma das coisas mais importantes para ensiná-lo a pegar no sono sozinho, por exemplo:

  • Francisco não gosta que demorem muito tempo para trocar a roupa e a fralda: comecei a apresar o banho e não deixá-lo muito estressado na hora de dormir.
  • Quando sente fome nada no planeta o distrai, ele quer comer e ponto: Comecei a observar e aprendi a identificar o choro de fome aos demais, aprendi a ouvi-lo, a entender o que ele estava solicitando (depois com a rotina estabelecida isso se torna muito fácil, pois ele se alimenta mais ou menos nos horários de costume e nunca chega a ficar bravo de fome).
  • Quando sente sono precisa dormir: Antes de ler o livro eu dava banho nele as 21:30 e as 22:00 colocava na cama e ele sempre dormia muito cansado, pegava no sono rápido, mas logo acordava e era um baile. Depois comecei a aprender e a perceber os primeiros sinais de sono e comecei a colocá-lo na cama mais cedo, sempre tentando meia hora antes, e fui testando, 21:30, 21:00, até descobrir que o horário biológico dele, que  é 20:00. Se ele “passar do ponto”, fica furioso, exausto, muitoooo cansado, demora para dormir e se mexe a noite toda. Então, programei o banho para as 19:00 (depois o mama) e as 20:00 já estava dormindo, em 5 minutos já pegou no sono e é super tranquilo.

Dica: Comece a observar o horário que está colocando o seu filho para dormir, isso pode influenciar muito na qualidade do sono dele.

 

Trate seu filho como uma pessoa de direitos e vontades (de dignidade a ele): Converse com o seu bebê e explique tudo que irá fazer, explique o que está acontecendo. Por mais que o bebê não entenda suas palavras, ele sente todo o carinho e atenção que você dedica a ele. Por exemplo: quando for levá-lo para passear lhe explique: “filho, agora nós vamos passear, você irá visitar a sua vovó e será muito divertido, não se preocupe ou se assunte, pois a mamães e o papai estão (e estarão) aqui para lhe ajudar e cuidar de você”. Essa pequena atitude (e boba para algumas pessoas) ajudará seu filho a lidar com as ansiedades dele, se sentir mais tranquilo e seguro, efeitos que vem com o tempo.

Capitulo II: Com E.A.S.Y., Você Consegue

O Raio X do Sucesso: Uma rotina estruturada

A rotina EASY significa fazer as coisas em uma determinada sequência, mais precisamente de 3 em 3 horas durante o dia todo (nos primeiros meses o bebê dorme várias vezes por dia, hoje por exemplo o Francisco está com 7 meses e faz 2 a 3 cochilos durante o dia, mais ou menos nos mesmos horários, mas antes a cada 3 horas dormia).

E= Eating (comendo): Amamentar (acordado, sem dormir mamando),

A= Activity (atividade): Brincar, trocar a fralda, passear, etc.

S= Sleeping (sono): Depois da atividade o bebê sentirá sono, então preste atenção nos sinais e coloque-o para dormir na hora correta,

Y= You (você): Depois que ele dorme é a nossa vez, de comer, tomar banho, dormir com ele, descansar, assistir tv, etc.

Detalhes importantes: Não deixe o bebê dormir mamando, faça de tudo para mantê-lo acordado, pois ele não deve vincular a comida a dormir, se não toda vez que acordar vai querer mamar e não irá dormir muitas horas seguidas.

Exemplo: O bebê dorme no colo mamando, vai para o berço, quando acordar, não conseguirá se acalmar sozinho e vai chorar (desesperado) querendo voltar para o seio e isso virará um círculo vicioso, colo, mamar, dormir… choro, colo, mamar, dormir…

E nós acabamos não dormindo, ficamos cansadas e para mim isso é a coisa mais cansativa de todas.

Simples, não é?

Infelizmente não! No papel pode parecer até fácil, mas para muitos pais é uma missão ensinar uma rotina ao filho, pois talvez também seja difícil para eles viver e administrar a mesma rotina todos os dias, por falta de tempo ou até mesmo vontade, pois é algo muito trabalhoso, leva tempo (como todo ensinamento), precisa de muita persistência, é dia após dia, até ensinar, até aprender, mas depois, nossa! Com certeza compensa todo esse sacrifício e esforço.

Aqui em casa não foi difícil estabelecer uma rotina para o Francisco, pois eu já havia me programado na gravidez para agir assim (sempre tive consciência da importância da rotina para o bebê, explico depois isso).

Por que o E.A.S.Y. funciona (e qualquer rotina organizada)?

“Os seres humanos, não importa a idade, são criaturas orientadas por hábitos, ou seja, apresentam melhor desempenho dentro de um padrão regular de eventos. A estrutura e a rotina são normais na vida cotidiana. Tudo tem uma ordem lógica. Como dizia minha avó: Você não pode colocar os ovos no pudim depois que ele já está assado”.

Os bebês não gostam de surpresas

O delicado sistema orgânico do bebê funciona melhor quando eles comem, dormem e brincam no mesmo horário todos os dias e na mesma ordem, isso pode variar, mas não muito. As crianças, em especial os lactentes gostam de saber o que virá em seguida, eles tendem a não receber bem surpresas nesse sentido, ficando agitados ou ansiosos e consequentemente isso tudo influenciará no sono noturno (os bebês também sonham!).

E.A.S.Y. acostuma o bebê à ordem natural das coisas

O nosso organismo foi feito para fazer as coisas na seguinte ordem: comer, brincar (trabalhar) e descansar, comer… (por isso muitas pessoas dizem que precisamos comer de 3 em 3 horas, isso não vale apenas para as crianças), portanto os bebês se sentem mais confortáveis se não dormirem logo após comer (mamar), é interessante esperar um tempo para fazer a digestão, assim, quando for dormir estará mais tranquilo e dormirá por mais tempo (claro que na mamada da madrugada onde o bebê mama dormindo é diferente, pois já está tranquilo e calmo).

Estrutura organizada propicia a todos da família a sensação de segurança

Uma rotina estruturada auxilia os pais a estabelecer um ritmo que o bebê possa seguir e a criar um ambiente que o ajude a perecer o que virá em seguida, por exemplo: Quando chega a hora do banho e a hora do mama, o bebê sabe que logo o sono é o próximo passo e naturalmente vai pedir para dormir. E assim não apenas o bebê, mas a mamãe e o papai também podem planejar sua vida, por exemplo: os pais sabem a hora que o bebê toma banho e a hora que vai dormir e podem planejar um encontro com amigos ou se preparar antecipadamente para um evento seguindo os horários do filho.

A rotina ajuda a interpretar o bebê

Com o tempo e a rotina estabelecida dificilmente você não saberá porque o bebê está chorando, pois digamos que ele esteja brincando e começa a chorar do nada, você observa a hora e está quase na hora dele mamar, você pode trocar a fralda e imaginar com quase certeza (aqui em casa absoluta certeza, Francisco é um relógio) que é um choro de fome (com o tempo você aprende a diferenciar todos os choros).

A rotina oferece uma base sólida e ao mesmo tempo flexível para o seu bebê

O método determina horário e normas de rotina, mas os pais podem adaptá-las de acordo com o temperamento do bebê e de acordo com as suas necessidades. Lembrando que depois que o bebê cresce essa rotina naturalmente vai se modificando, pois o bebê não dorme mais a mesma quantidade de antes e também se alimenta de forma diferente, é um processo natural de adaptação.

A rotina favorece a educação cooperativa

Muitas vezes quem cuida quase que exclusivamente do bebê é a mãe, o pai sai para trabalhar (pois a licença do homem é de apenas 7 dias, absurdo!) e a mulher fica sozinha com o bebê.

O cansaço pode gerar algumas situações desagradáveis entre o casal, por exemplo: Final do dia a mulher está cansada e o marido chega do trabalho, o que ela espera é ajuda (certo?) e o que ouve: “Eu saio para trabalhar, preciso descansar e você? Só cuida do bebê”. Obviamente a mulher sentirá muita raiva, pois só quem é mãe sabe o que é ficar o dia todo sozinha com um bebê, é muito cansativo e muitos casais brigam e até mesmo se separam nessa fase, pois não compreendem um ao outro.

Quando existe uma estrutura como o E.A.S.Y. todos na casa conhecem o ritmo das coisas e sabem o peso que a mesma tem, assim o papai quando chegar em casa já vai saber tudo que a mamães fez o dia todo e naturalmente vai tentar ajudar da forma que conseguir, quando os pais conhecem as tarefas um do outro é mais fácil para ambos entender e imaginar o que cada um passa no seu dia a dia.

Mas como aprender a interpretar as dicas de meu bebê?

As primeiras semanas de uma rotina estruturada podem ser muito difíceis, exigem tempo e paciência, e também a perseverança de obedecer ao plano. Aqui vão algumas dicas importantes:

 Anote tudo! Como um diário, isso ajuda a registrar o ponto do processo em que se encontram e o que o bebê e a mamãe andam fazendo. É especialmente importante manter um diário durante as seis primeiras semanas de vida do bebê (mas, eu comecei a fazer isso no final do primeiro mês e teve o mesmo efeito, claro que quem for começar o método desde o inicio será muito mais fácil).

Diário do E.A.S.Y.

Com o diário, depois de alguns dias, até uma semana, você saberá exatamente o que seu bebê está fazendo e irá perceber certos padrões de comportamento. Você pode notar um impulso de crescimento (outro post), por exemplo, porque ele está comendo mais ou ficando mais tempo no seio. Se ele repentinamente começa a passar 50 minutos ou 1 hora no seio, quando costumava mamar em apenas 30 minutos, está realmente mamando ou apenas matando o tempo e usando seu seio para adormecer?

Você saberá a resposta apenas se tiver reservado um tempo para observá-lo atentamente, é assim que mães e pais começam a aprender a linguagem infantil e os hábitos do bebê.

 

Mas, como aplicar, como escolher esses horários?

A rotina pode ser baseada nos horários do bebê, por exemplo: Com as dicas a cima sobre o diário do E.A.S.Y.

Com o Francisco observei e anotei tudo que ele fez durante umas duas ou três semanas e com isso fui tentando descobrir qual era o melhor horário para o banho, para dormir e assim fui estabelecendo a rotina dele.

Lembrando que: Rotina para o bebê é horários para comer e dormir definidos, algumas mamães também tem horário para passear (para isso eu não tenho). Não significa que o bebê vai precisar ter horário para tudo (16:00 brinca, as 17:00 reflete…), não é um sistema rígido de disciplina, cuide para não confundir as coisas. Algumas vezes é interessante “fugir” da rotina para o bebê também conhecer essa possibilidade (mas cuidar para isso não ser tão recorrente, pois o bebê pode se perder um pouco nos horários e cada dia ir dormir em horários diferentes e não manter um padrão de sono).

Aqui em casa quando fazemos algo diferente, viajamos, dormimos fora,  eu sempre mantenho o banho, comida e dormir nos mesmos horários. Dessa forma ele se sente bem, tranquilo e aproveitarmos muito mais o passeio ou a viagem.

Dicas:

Comece da Maneira que Deseja Manter

A rotina deve ser estabelecida desde que o bebê nasce (depois explico como fazer com bebês mais velhos), pois quanto mais tarde for iniciada, mais difícil será e talvez mais problemas relacionados ao sono e a alimentação os pais enfrentarão (não dormir a noite toda, mamar dormindo, só dormir mamando, etc). Por exemplo: Quando o bebê tiver 3 meses (fase que alguns bebês já começam a dormir a noite toda), você já conhecerá seus padrões e entenderá sua linguagem e será mais fácil o ensinar a dormir a noite toda, do que começar do zero.

Lembrando que: A rotina pode ser iniciada logo que o bebê nasce (banho, hora de dormir), mas na alimentação, na amamentação apenas depois que o pediatra indicar, 3 horas para um recém-nascido é muito tempo sem mamar (a mamada não é tão eficiente), mas para um bebê maior é natural.

Um problema frequente que a autora sugere é que os pais não percebem que estão fazendo uma escolha, eles entram no que ela chama de “paternidade acidental”, simplesmente vão agindo, fazendo as coisas, sem pensar que tudo que eles fazem e deixam de fazer influencia diretamente no aprendizado e na formação da personalidade do bebê e tudo isso se refletirá lá na frente (e principalmente nos hábitos de sono e de alimentação).

Verdade seja dita: Geralmente são os adultos, e não os bebês, que criam as situações difíceis. Como mãe (e pai), você sempre deve assumir o comando. Afinal, você tem mais experiência do que seu bebê! Apesar de os bebês nascerem com um temperamento próprio, as ações dos pais realmente fazem diferença. Já vi bebês Anjos ou Livro-texto transformarem- se em duendezinhos endiabrados porque ficaram confusos no meio da tormenta. Independentemente do tipo do bebê, lembre-se de que os hábitos que ele desenvolve estão nas suas mãos. Pense no que você deve fazer.

O sono do bebê é exatamente assim como a rotina “comece da forma que deseja manter”, pois tudo que você faz ensina o bebê de alguma forma, então se ensinar o bebê a dormir no colo, ou usando um acessório é isso que ele irá aprender e fazer, não é um instinto natural, é aprendizado.

A autora explica um pouco sobre os casais que sentem mais dificuldades para aplicar a rotina (e os que não sentem se torna algo natural), os Improvisadores e os Planejadores, e disponibiliza um teste para descobrir quem você é deixando algumas dicas, mas isso iria prolongar (mais ainda hehe) o post e fugir um pouco, por isso não vou escrever citar nada, mas se alguém quiser envio também por e-mail.

Parte Prática (ensinando o bebê a dormir no berço ou cama)

A importância da alimentação nesse processo (comprovado aqui em casa)

A autora sugere que quando os bebês se alimentam adequadamente durante o dia e fazem a “mamada dos sonhos” sentirão menos fome durante a noite e consequentemente acordarão menos para mamar, chegando a dormir a noite toda, como fazer:

Amamente, de as refeições ou mamadeira nos horários e na quantidade adequada (a cada 3 horas ou menos se o seu bebê necessitar) e nas últimas duas mamadas ou janta do dia alimente seu bebê com 2 horas apenas de diferença (por exemplo: Jantar as 18:30 e o último mama antes de dormir as 20:30)  e ai vem o grande “truque”, a “mamada dos sonhos”:

Programe essa mamada para a hora que você for dormir (22:00, 23:00, se você dormir as 2 ou 3 da manha, de o mama as 00:00 no máximo para ele não se adaptar a mamar no meio da madrugada),  a mamada dos sonhos deve ser dada, literalmente, com o bebê dormindo. Em outras palavras, você pega o bebê no colo, encosta a mamadeira ou o seio no lábio inferior dele e o deixa mamar, tomando o cuidado de não acordá-lo. Quando ele terminar, não precisa fazê-lo arrotar, pois os bebês geralmente estão tão relaxados durante essa mamada que não engolem ar. Não fale nada, não ligue a luz, nem troque a fralda, a menos que esteja suja (o que ocorre mais com recém-nascidos).

Observação: Se o seu bebê acorda todos os dias no mesmo horário para mamar, mesmo você cuidando a alimentação durante o dia e a “mamada dos sonhos” isso pode ser apenas um hábito dele, então, comece a “acordá-lo” uma hora antes desse horário para ele “perder” esse costume .

Como assim acordar???? Sim, seria acordar o bebê levemente e fazer ele dormir novamente, isso soluciona o hábito de acordar sem motivos todos os dias no mesmo horário. Porém, isso só funcionará se tudo já estiver sido ajustado e esse horário é apenas um costume.

 

Método “Pick Up/Put Down”

(Pegar o bebê do berço/cama e colocar de volta):

A autora do livro é contra deixar o bebê chorando na cama para ensiná-lo a dormir (e eu também), pois o bebê chora para se comunicar e se ele não é atendido com o tempo aprende a se calar (para de chorar), de se expressar, pois aprende que mesmo pedindo ajuda não será atendido e isso pode causar consequências no futuro.

Mas sugere prestar atenção na hora de interferir, não sair desesperada toda vez que ele der um grito, às vezes está apenas sonhando.

No Capitulo III do livro (Acalme-se Com S.L.O.W.), ela explica que sempre que o bebê chorar é muito importante ouvi-lo primeiro, não sair correndo (como uma louca), é importante tentar entender porque ele está chorando, deixando nossos sentimentos pessoais de lado, analisando as expressões do bebê para tentar descobrir realmente o que ele quer, sem agir antecipadamente.

 Esse método é o mesmo para ensinar o bebê a dormir durante o dia e durante a noite, basicamente significa colocar o bebê na berço/cama quando ele começar a demonstrar os primeiros sinais de sono, quando abrir a “janela do sono” que são:

– Bocejar: Todo bebê boceja quando está com sono (igual aos adultos) e geralmente 3 bocejos é o ponto em que está pronto para dormir, muito cansado (isso lhe ajuda no início a identificar o sono).

– Diminui a capacidade de concentração,

– Coça os olhos,

– Alguns bebês puxam a orelha ou arranham o rosto,

– Olhar fixo em apenas uma direção,

– Esconde o rosto no seu corpo, tentando bloquear os estímulos,

– Perde o interesse pelos brinquedos e pelas atividades que está desenvolvendo,

– Prende-se a você, quando tenta colocá-lo no chão para brincar ou caminhar,

– Quando já caminha ou engatinha, diminui a capacidade de coordenação, tropeça nos brinquedos, cai, etc

– Choramingar levemente enquanto faz tudo isso (e aos poucos vai se tornando um choro mais forte).

Observação: Cada bebê tem um jeitinho para expressar o sono, mas a maioria faz vários desses sinais, observe e aprenda qual o jeito que o seu filho expressa que está com sono.

 

Nunca perca a “janela do sono”

Se o seu bebê passar da hora de dormir ou “passar do ponto” ele ficará extremamente cansado e irá resistir muito para pegar no sono. Quando ele finalmente conseguir dormir, a noite pode ser um pouco agitada e em cada ciclo de sono ele poderá acordar, pois além de tudo estará super estimulado.

 

Tenha uma chupeta como aliada

A chupeta quando não é usada como acessório (o dia todo na boca) é uma ótima aliada, pois acalma o bebê e o ajuda a pegar no sono (depois de uns 7 a 8 minutos que o bebê dormiu geralmente ele larga), mas sempre limite e utilize-a da forma correta (leia mais sobre esse assunto clicando aqui)

 

Tire todos os estímulos visuais do berço

Móbiles coloridos, pelúcias, brinquedos, tudo, torne aquele lugar sagrado para dormir e não brincar, pois o bebê pode “perder” o sono assim que enxergar os brinquedos e se estimular novamente. Cuide também para não deixar o bebê brincando (como um “chiqueirinho”) por muito tempo no berço.

Quando estiver em casa sempre faça o bebê dormir no berço, no quarto, não na cozinha ou na sala (se precisar use uma babá eletrônica).

 

Pick Up/Put Down na prática

Então, assim que você perceber que o bebê estiver cansado e no “ponto” para dormir, leve-o para o berço/cama (com calma e paciência) coloque-o levemente na cama AINDA ACORDADO (a posição considerada – atualmente – a correta é de barriga para cima, mas muitos bebês só domem virados para o lado, o Francisco é um deles), pois o bebê precisa aprender a se acalmar no berço, sozinho (não no seu colo), ir pegando no sono aos poucos (como nós fazemos), ele vai rolar de um lado, de outro e aos poucos vai se acalmar, mas se ele chorar (principalmente um bebê com mais de 3 meses, já adaptado a dormir no colo), pegue ele no colo novamente acalme-o (sem nanar) e coloque no berço novamente, vá repetindo quantas vezes for necessário (vá aos poucos e com muita paciência, pois não é nada fácil na maioria das vezes). Toda vez que ele sentir sono, leve-o para o berço/cama aos poucos ele vai ligar esse momento de sono a cama e não ao colo.

Ajude-o dando “tapinhas” muitooo leves nas costinhas ou na bundinha dele, para induzir o sono.

Dê a ele a chupeta sempre nessa hora, para ele relacionar com a hora de dormir.

 

Não esqueça que para esse último passo funcionar, todos os outros são importantes

– Rotina,

– Conhecer o seu bebê e os horários dele,

– Ritual do sono,

– Uma boa alimentação e “mamada dos sonhos”

– Leva-lo para a cama na hora certa – Não perder a janela do sono,

– Sempre manter o mesmo comportamento, por exemplo: “só hoje vou fazer ele dormir no colo” Não, pode acreditar que vai fazer a diferença (mas em eventuais momento se ele dormir SOZINHO no carrinho ou no bebê conforto isso não mudará nada, o que você precisa cuidar é a FORMA que fará o seu filho dormir, como nanando no colo).

 

Lembre-se de um detalhe muito importante

Uma das principais desvantagens de qualquer “receita” para auxiliar uma criança a adormecer é que nada funciona do mesmo modo para todas as crianças. Portanto, conheça o seu bebê e os seus ciclos de sono, por exemplo:

O Francisco dorme sem se mexer durante umas 4 horas, depois ele se movimenta, respira mais fundo, às vezes da um gritinho, se mexe mais um pouco e volta a ficar quietinho (passa para outro estágio), ai depois movimenta novamente, etc.

Se eu interferir em algum desses estágios ele acorda e chora muito, então só o observo (de longe) se está tudo bem (paranoia da mamãe) e o deixo dormir e mexer, assim ele dorme suas 12 horas sem acordar (com a “mamada dos sonhos” incluída).

Como eu descobri isso? Observando e mexendo com ele, passando por crises de choro, no fim aprendi como funciona o sono dele e hoje não corro por qualquer gritinho na babá eletrônica, apenas se ele chorar ou se eu perceber que está acordado (ele faz uns resmungos fofos que eu já conheço, mas isso é quase impossível acontecer a noite).

E o que fazer se o seu bebê tiver mais de 3 meses (como era o meu caso)?

Bebês até 3 meses não desenvolvem costumes tão rapidamente, é mais fácil e simples tirar um hábito deles, mais ou menos de 3 a 7 dias. Um bebês com mais de 3 meses é mais difícil, dura mais ou menos de 15 a 30 dias cada hábito/costume (como para nós adultos). Portanto:

Pense, analise, observe e descubra qual ou quais manias está fazendo o seu bebê acordar a noite. Mas, pense de uma forma ampla, não apenas “faço dormir no colo” e já tente faze-lo dormir na cama, às vezes não é só isso e essa é uma consequência de outras manias, por exemplo:

Toda noite o bebê dorme em um horário diferente ou dorme quando já passou da hora, adormece no seio (mamadeira) mamando, quando acorda mama e é nanado.

Como começar:  Primeiro: Descubra o horário que o seu filho sente sono à noite (teste meia hora mais cedo cada dia). Organize a rotina dele a partir do que descobriu e eleve-o para dormir todos os dias no mesmo horário. Segundo: “tire”, desvincule esse costume de dormir mamando (sim, é difícil! Demora, mas será o primeiro ponto chave) e apenas depois que ele já “perdeu” esses costumes anteriores ensine ele a dormir na cama, sem mamar. Trace um plano de ação!

 

Adaptações aqui em casa

(o que funcionou e como):

4º mês até hoje: Uma vida de volta na terra

Naquela loucura, quando cheguei do hospital, a única certeza que eu tinha (sabia e queria) era que eu precisava iniciar uma rotina na vida do Francisco, um ritual do sono e ensina-lo o que era dia e o que era noite, pois eu já havia lido muito sobre esse assunto e concordava em tudo.

Sabia que para o bebê não existia noite ou dia na barriga da mamãe, que ele nasceria sem costumes, assustado, sem saber o que e como fazer, ele (e todas as crianças) precisaria de muitas orientações e ensinamentos e minha principal função era ensiná-lo.

 

Desde que o Francisco nasceu já havia lhe ensinado

O que é dia e o que é noite (Muitas mães me relatam que o bebê troca o dia pela noite e isso é extremamente normal no primeiro mês, pois o bebê ainda não tem uma regulação interna de dia e noite.

Durante o dia: Mantínhamos os barulhos naturais da casa, máquina de lavar, tv ligada (em um volume normal é claro), conversas, etc. Quando acordava íamos buscar ele na cama com um sorriso no rosto e já começávamos a conversar e a brincar com ele (até hoje é assim) abrindo a janela deixando entrar luz.

Durante a noite: era o oposto, silêncio e escuro (no início deixava o abajur ligado) e quando chegava a hora de dormir, depois do ritual do sono nós não saímos mais com o Francisco de dentro do quarto dele (detalhe importante), se ele chorava ou queria mamar isso tudo era feito dentro do quarto (mamar, trocar fralda, etc) com a luz desligada, apenas o abajur ligado e na hora do sono desligado.

À noite quando acordava não conversávamos com ele, apenas fazíamos o que precisava, mantendo o silencio, o momento de sono.

Essa regra, lembro que o papai no início questionava: “porque ser tão rígida, ele não vai perceber”, mas com o tempo ele adotou fielmente, pois percebeu que o Francisco foi aprendendo a diferenciar quando estava chegando a hora de dormir e isso influenciou diretamente a dormir a noite toda.

Hoje quando começa a chegar perto do horário de dormir (20:00) ele já começa a reclamar e depois que dormiu sabe que ficará na cama até o outro dia pela manhã, não acorda querendo brincar ou sair da cama, ele sabe que é noite e é hora de dormir.

Durante o dia faz 2 ou 3 cochilos (entre manhã e tarde), de mais ou menos 40 minutos a 1 hora, acorda feliz e volta a brincar.

Criei uma rotina

Desde que o Francisco veio para casa do hospital eu sempre tentei seguir uma rotina de banho e ritual do sono. A rotina de amamentação ainda não existia, pois a AMAMENTAÇÃO EM LIVRE DEMANDA no início é extremamente importante, mas depois que a pediatra que cuida do Francisco liberou (depois do 2º mês) fui ensinando ele a mamar corretamente (às vezes os dois seios) para conseguir ficar suas 3 horas sem mamar, naturalmente sem forçar.

Depois fui tentando descobrir o horário mais adequado para o banho e nesse processo todo fui aprendendo seus choros e suas vontades naturais.

Sempre mantive a rotina, todos os dias até ele aprender, isso ocorreu mesmo no 3º mês.

Mesmo que muitas vezes parecia que a rotina não ajudava em nada, depois o resultado veio e valeu (vale) muito pena (12 horas de sono).

Fugia no início algumas vezes da rotina, saia para jantar, ia à casa de amigos, mas percebi que só fez efeito mesmo depois que eu fiquei firme, repetindo ela todos os dias, sem fugir nenhum, fiquei um tempo sem sair ou fazer qualquer coisa durante seus horários e hoje se eu mudar um ou outro dia seus horários ele não deixa de dormir ou desacostuma, pois já aprendeu muito bem sua rotina.

Abri mão de algumas coisas e fiz alguns “sacrifícios” para ele aprender, hoje tenho certeza que a rotina dele é a base das 12 horas de sono, foi um dos fatores mais importantes.

Ritual do Sono

Criei um desde o primeiro dia em casa, às vezes parecia que não ajudava em nada, mas foi o que ensinou o Francisco que a hora de dormir estava chegando.

No início era assim: Dávamos banho, com uma essência no aromatizador elétrico para Francisco se acalmar, colocava uma música para o banho e fazia uma massagem, amamentava e colocava para dormir, tudo para ele entender que a hora de dormir estava chegando.

Mas conforme fui conhecendo o meu filho fui adaptando o ritual do sono ao jeito dele e hoje é muito mais simples, pois o Francisco já aprendeu que a hora de dormir está chegando, já se tornou parte do dia a dia dele, não preciso mais colocar as essências (uso o aromatizador elétrico como umidificador), por músicas (não coloco nenhuma, dorme como a gente, no silêncio), é simples, ele já sabe, não preciso mais ensinar.

As 20:00 horas banho, quando ele não está caindo de sono passo um hidratante no corpinho (que a pediatra indicou para prevenir as alergias que ele tem muito), 20:30 mamadeira e cama (em questão de 5 minutos, vira para o lado e dorme sozinho

Detalhe: Cada mamãe e papai deve encontrar o melhor “ritual do sono” para ajudar e ensinar o seu bebê a entender que a hora de dormir está chegando, depois de um tempo isso se tornará natural.

Mas, apenas essas 3 coisas não fizeram o Francisco dormir a noite toda, isso tudo foi apenas o meu primeiro passo (eu fazia isso todos os dias sem desistir), mas para algumas crianças só isso já bastante (bebê anjo e bebê livro-texto, por exemplo).

Um passo de cada vez (sem ansiedade)…

Como o Francisco já tinha 4 meses e muitos costumes, eu precisava entender quais eram os costumes que não permitiam que ele dormisse tranquilo, então, pensei, refleti, pensei mais um pouco e me dei conta de que ele dormia geralmente mamando no peito ou nanando no colo com uma música (que se eu ouvir hoje sinto náusea), só o colocava na cama quando já estava em sono profundo.

Detalhe importante: Antes de começar a tirar 1 costume por vez, eu tentei o método “Pick Up/Put Down”  sozinho, sem mudar nada na rotina, gente! Ele “uivava” de bravo, rolava chorando (e chorava durante uns 15 minutos de tão bravo e ofendido que ficava) e foi assim que eu percebi que partir “de cara” para o método não ia funcionar. Eu precisava parar e pensar o que precisava ser mudado primeiro e essa é a minha maior sugestão:

O que está atrapalhando a noite de sono do seu filho? O que pode ser mudado? Será só o colo?

O que e como mudei:

1- Retirei o costume de dormir mamando, não foi fácil e a noite ele chorava muito (pois só queria dormir assim, nem queria mais dormir nanando no colo, às vezes chorava por 10 minutos até pegar no sono – CHORAVA ESTANDO NO COLO. Então, comecei ensinando isso durante o dia, pois era mais fácil, fui desvinculando o peito ao dormir, conversava, brincava, fazia de tudo e não deixava ele dormir. Demorou uns 20 dias para aprender, mas aprendeu.

2- Retirei a música para dormir (não sentiu falta).

3- Retirei totalmente o abajur (não sentiu falta).

4- Comecei a dar a “mamada dos sonhos”, mas aqui em casa ela acontecia as 00:00 horas (devido aos meus maus hábitos de dormir tarde), para ele aprender a não mamar no meio da madrugada e para entrar na madrugada com o “tanque cheio”.

5- Comecei a complementar a amamentação (NÃO ESTOU “FALANDO” PARA FAZER ISSO e que é o correto, estou apenas relatando que eu fiz com a autorização da pediatra, pois estabilizou o seu peso e a amamentação), deixei esse mama para ser o último e ele passou a mamar apenas 2 vezes (as 00:00 e as 6:00 horas e continuar dormindo até as 9:00 – ele dormia 13 horas antes de mudar o horário de verão). Hoje ele só mama uma vez (as 00:00 horas).

6- Comecei a colocar ele no carrinho (no lugar do colo e peito) para dormir, (na verdade era no bebê conforto acoplado no carrinho, ele ficava mais apertadinho e se sentia acolhido), ai ele foi aprendendo a se acalmar e a pegar no sono aos poucos, sozinho, tranquilo. Depois que dormia muito bem eu o colocava na cama. Depois de umas duas semanas (finalmente!), aos poucos comecei a colocá-lo na cama acordado e dar leves tapinhas no bumbum (macio de fralda) e esse leve movimento ia tranquilizando ele, logo ele adaptou seu jeito de dormir, virando para um lado, para o outro, olhando para cima, para mim, até dormir. Dei liberdade a ele para encontrar a sua forma de se acalmar e dormir. No carrinho ele começou a dormir 8 horas seguidas e depois que começou a pegar no sono na cama mesmo, umas 13 horas (com o mama das 23:00/00:00 e um as 6:00).

7- Fui interferindo cada vez menos no sono dele, com o tempo tirando os leves tapinhas na bunda (mas leves mesmo), não corro por qualquer movimento e deixo o sono dele fluir.

8- Não cortei e não vou cortar a mamada noturna, estou deixando isso ser um processo natural. Depois que o Francisco começou a jantar (com 7 meses) ele só mama 1 vez (00:00).

Como é a nossa rotina atual:

8:30/9:00 – Acorda, troca de roupa, troca de fralda, “toma café” (Leite) e já começa a brincar.

10:30 – Suco de fruta ou fruta

11:00 – 1º soninho do dia (Acorda as 12:00)

12:30- Almoço

14:30 ou 15:00 – Leite

15:00 as 15:30 – 2º soninho do dia (a hora que acorda depende do sono, mas geralmente dura 1hora).

16:30 ou 17:00 Fruta

Em alguns momentos quando não dorme o soninho anterior ou dorme pouco, ou quando dormiu menos a noite faz um soninho lá pelas 17:00 (se estamos passeando as 18:30 e janta as 18:00).

18:00 – Jantar

19:00 – Banho e logo leite

20:00 – Deita e dorme.

00:00 – “Mamada do sonhos”

*Francisco está se alimentando em menos de 3 horas, mas isso começou depois que ele iniciou a alimentação com sólidos, quando só tomava leite até o 6º mês era exatamente de 3 em 3 horas.

Confesso que isso foi uma escolha minha, a pediatra indicou de outra forma a cada 3 horas, mas, eu sinto que para o meu filho é melhor assim, por isso adaptei.

Percebo que ele mama menos a noite se alimentando dessa maneira.

Todos os meses, levo ele na pediatra e faço o controle do seu peso, está engordando dentro do normal (um pouquinho de nada a mais), sempre controlado.

Às vezes precisamos fazer o que sentimos que é e funciona melhor para o nosso filho.

O que melhorou?

-MINHA VIDA!

-Meu dia (menos sono durante o dia) e minha noite (tenho tempo para mim).

-Meu relacionamento (pois ficamos mais tempo sozinhos, conversamos, assistimos tv, cada um fica nas suas atividades perto um do outro, não somos somente pais, somos um casal).

-Francisco ficou muito querido, amado, cresceu muito (mesmo) depois que começou a dormir bastante.

-Tenho mais disposição para cuidar dele e com isso mais paciência, mais carinho, mais cuidado.

-Temos mais liberdade, pois ele não dorme só comigo ou só com o Maci (papai), ou só na cama dele. Dorme com as vovós, dorme sozinho, dorme em qualquer cama ou casa, podemos viajar e não nos preocupar com isso. Se quiséssemos poderíamos até sair a noite e deixar ele com alguém de confiança (não consigo ainda).

-Minha ansiedade diminuiu quase a 0%. Emagreci todos os últimos kg que adquiri na gravidez.

-Me alimento melhor.

Enfim, tudo mudou, sinto que tenho minha vida de volta e sinto até vontade de ter outro filho (daqui a alguns anos, claro!)

Dormir bem e ter tempo para fazer as coisas que gostamos e precisamos não existe preço que pague. Ensinar o seu filho a dormir a noite toda é trabalhoso, necessita de muita paciência e persistência, mas vale cada segundo investido. Eu recomendo mais que tudo!

Se você não desistiu e leu tudo até aqui (hehe), boa sorte se for tentar! E se você fez de uma maneira diferente relate a sua experiência, com certeza será muito bem recebida! Obrigada.

Beijinhos!

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